
A navegação comercial e a logística marítima no Leste da Ásia enfrentam severas interrupções devido à aproximação do Tufão Saudel. As autoridades locais emitiram alerta de nível laranja, forçando a paralisação total das operações nos portos de Xangai e Ningbo, dois dos maiores e mais movimentados hubs de contêineres do planeta. O impacto do fenômeno climático também se estende a outros importantes terminais da região do Leste da China, incluindo Xiamen, Fuzhou, Zhoushan, Yangshan e Waigaoqiao. Com a força da tempestade, o tráfego de embarcações e as operações do transporte rodoviário de acesso aos pátios foram temporariamente suspensos por medidas de segurança.
Especialistas e operadores logísticos orientam o mercado a se preparar para um efeito cascata nas semanas seguintes à passagem do tufão. Entre as principais consequências esperadas para as cadeias de suprimentos globais estão o aumento de viagens canceladas pelas linhas de navegação, conhecidas no setor como blank sailings, além de omissões de escalas e atrasos acumulados no cronograma dos navios. Em terra, as restrições severas no fluxo de caminhões e no acesso aos portões dos terminais marítimos devem gerar um forte congestionamento assim que os portos reabrirem, acumulando dezenas de navios à espera de atracação na costa chinesa.
Além do gargalo operacional, o setor prevê um impacto direto na oferta de insumos e nos custos do frete. A paralisação deve agravar a escassez de equipamentos, dificultando a liberação e a reposição de contêineres vazios para novos embarques na região. Consequentemente, empresas importadoras e exportadoras enfrentam o risco elevado de taxas extras de sobreestadia (demurrage), detenção e armazenagem para mercadorias retidas em trânsito. Diante desse cenário desafiador, a Ftrade recomenda o monitoramento constante das rotas e alinhamento urgente sobre a revisão de prazos das mercadorias afetadas.

